Na casa da minha avó existiu um
pé de manga frondoso que ficou mais alto que própria casa e era de manga espada.
Estas mangas, quando maduras, não ficam amarelas ou vermelhas, continuam verdes
ou apresentam muitas manchas pretas. Elas eram uma delícia.
Quando eu era menino, a uns
trinta anos atrás, eu brincava ali debaixo. Meu pai comprou corda e fez dois
balanços no pé de manga. E eu e minha irmã Vanessa ficávamos balançando lá.
Depois fomos fazendo amigos e eles vinham até minha casa para brincar. Os meus amigos e os
da Vanessa se juntavam e brincávamos de esconde-esconde. O pique era o pé de
manga.
Já na adolescência, eu estudava de manhã e à tarde ficava livre para
brincar. Como a árvore fazia sombra quase no quintal inteiro da casa da minha
avó, construímos uma trave de bambu. O Vandergreisson gostava de ser goleiro,
então a gente brincava de chute ao gol e de um jogo chamado “linha”, onde, pelo
que me lembro, cada jogador só podia dar um toque na bola e deste jeito chutar
ao gol. Se o goleiro pegasse a bola, aquele que chutou ia para o gol.
Há alguns anos o pé de manga
começou a morrer. O galho principal começou a secar e fragilizado ele podia
cair ou na casa do vizinho ou na casa da minha avó, na ventania de uma tempestade.
Eu acho que o lava-rápido é que matou o
pé de manga, porque ele joga detergente vaporizado no ar, e quando chovia, nos
pés de ameixa desciam espuma. Então contratamos uns homens para cortar o pé de
manga. Eles deixaram umas toras grossas dele no quintal da minha avó. Eu os
enfilerei e comecei a treinar Le Parkour em cima deles. Depois outros homens
vieram com uma motosserra, cortaram os troncos em pedaços menores e os levaram em
um caminhão.
Eu tenho saudades daquela
árvore, assim como tenho saudade dos pés de ameixa e de jabuticaba que existiam
na casa da minha avó. E me orgulho de dizer que tive uma infância entre as
árvores.
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