Logo nos primeiros meses de vida eu já comecei a entender o comportamento do meu cachorro. Sendo um biólogo e entendendo de Darwinismo percebi diversos comportamentos que facilitam a sobrevivência de um SRD, os cães mais bem adaptados a diferentes ambientes que existem. Inclusive na interação com o ser humano onde ambos tiveram vantagem, ao longo da evolução juntos.
O Simba, meu SRD, sempre apresentou um comportamento hiperativo, sempre querendo brincar, vindo morder a gente, sabe quando cachorro morde sem força, querendo brincar? Quando não vem até a gente é porque está entertido com algum brinquedo. Na verdade o jeito dele pensar é que o brinquedo é uma presa dele, por isso quando a gente se aproxima dele nestes momentos, ele pega o brinquedo dele na boca e sai na evasiva para “comer” a presa dele, tranquilamente em algum outro lugar longe da gente.
Quando ele dorme eu já fui mexer nele puxando as patinhas dele. Ele começa a rugir e se eu insisto ele vem morder minha mão. Depois que ele cresceu mais, tipo uns seis meses de vida, aí ele começou a rugir mostrando os dentes e fazendo careta de bravo. Outro caso é quando ele sobe em algum sofá, sendo que ele não pode ficar subindo nos sofás da sala, porque minhas tias usam eles, então ele tem um sofá velho para ele lá fora da casa. Quando ele está num sofá ou em cima de um pano ou cobertor velho, ele é agressivo respondendo com mordidas. Percebe-se que desta vez ele quer morder forte mesmo, protegendo seu pequeno território para dormir ou tirar sonecas durante o dia, ou seja, não é brincadeira. No gramado e em frente a casa onde ele late para as pessoas que passam na rua, ele também vem morder nossas canelas, mas depois ele mostra que quer brincar, ou seja são territórios que ele domina.
Para que ele não fique mordendo a gente nós usamos os brinquedos. Ossos falsos comprados em pet shops, bichos de pelúcia, pantufas, uma bola de vôlei velha e bolas de tênis. Ele adora correr atrás de uma bola de tênis arremessada. Eu brinco com ele dentro da casa no corredor. Assim que ele pega a bola de tênis, ele vem trazendo-a para o sofá da sala. Para brincar ele pode subir no sofá. Eu pego de volta a bola e arremesso de novo para ele correr atrás. Ele se diverte.
Saber conviver com animais é saber quando ele quer brincar e como ele brinca, porque meu cãozinho SRD gosta de morder. Quando ele faz isto na maioria das vezes ele quer atenção. E saber respeitar os limites do território do animalzinho, onde ele vem defender território e onde ele não liga. Naturalmente há também os “territórios” humanos que ele não deve ultrapassar.
Se o ser humano soubesse respeitar o território ou ambiente de certos animais, ele não se feria gravemente ou até pouparia a própria vida. Por exemplo, num território de felinos selvagens é um lugar extremamente perigoso de se caminhar a pé. Ou a pessoa é meio maluca ou é recordista dos 100 metros ou 200m. Não sei quanto os felinos conseguem correr em distância. Talvez o ser humano leve alguma sorte porque as presas destes grandes felinos são outros animais. Junto aos felinos podem existir outro predador feroz que são as hienas, que também podem atacar fatalmente o ser humano com os dentes afiados deles. Hienas e felinos respeitam os territórios um do outro, para evitar conflitos com ferimentos graves entre si. Mas normalmente os leões levam vantagem sobre as hienas.
Os surfistas que entram no mar na área dos tubarões também estão invadindo um território animal. Os próprios animais sabem onde os territórios começam e terminam e normalmente lutam por um território o maior possível, para lhes garantir maior fornecimento de alimento, no caso as focas. Talvez o ser humano leve alguma sorte porque as presas destes grandes felinos são as focas.
Até mesmo animais grandes como elefantes precisam saber onde andam. Elefantes não ficam tranqüilos perto de rinocerontes. Os homens montam nos elefantes e passeando por aí podem encontrar algum rinoceronte pelo caminho. Estes animais são agressivos e podem atacar qualquer ser que se aproxime. Instintivamente sabendo disto, os elefantes já ficam atentos podendo sair em disparada e as pessoas montadas em cima podem cair e se machucar. É uma altura de mais de 3 metros do lombo de um elefante. Os rinocerontes tem vantagem no ataque devido ao grande chifre acima do focinho.
É tudo uma questão de se respeitar os territórios.